Adolfo Caminha autor editor SciELO Books

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Adolfo Caminha autor editor,O autor editor,Mais uma face ou m scara do autor. Como j vimos Adolfo Caminha n o foi apenas autor No rol de suas. atividades no campo liter rio ou de modo mais amplo no campo intelectual. a edi o de jornais e revistas constitui mais uma de suas faces ou mais uma. de suas m scaras que se analisada enriquece a compreens o do conjunto de. sua obra e a sua atua o como homem de letras definindo desse modo a sua. atua o como pol grafo pois sempre v lido lembrar que o compreendemos. como tal tanto porque essa parece ser uma pr tica comum no seu tempo. como ela significava tamb m um modo de garantir algum ganho financeiro. o que era indispens vel para os que deviam sustentar n o somente a si e a. sua arte mas tamb m a sua fam lia Portanto a poligrafia era uma forma. de estar em todos os lugares da Rep blica das Letras na fic o na cr tica. no jornalismo Ela era tamb m um tipo de propaganda poss vel das obras. que os autores produziam e uma forma de tecer as in meras rela es que. sustentavam a trama das condi es de produ o da literatura nacional no. final do s culo XIX, Antes por m apresenta se nos um problema como podemos conceituar o. autor editor sujeito primeira vista amb guo sobretudo se tomarmos como. refer ncia o ensino compartimentado da literatura Como unir esses sujeitos. supostamente t o diferentes Em busca de uma conceitua o citamos Fran ois. Bessire 2001 p 7,224 CARLOS EDUARDO DE OLIVEIRA BEZERRA. crivain diteur la r union de ces deux mots qui dans leur acception courante. d signent deux fonctions bien distinctes deux mondes tr s diff rents d un c t la. pens e et l criture de l autre la production et la vente d un c t le texte et de l autre. le livre permet de d limiter de fa on rapide et commode notre sujet L crivain est. diteur d s lors qu il intervient dans ce qu on pourrait appeler le champ ditorial. c est dire tout le processus qui commence une fois le point final mis au texte et. s ach ve quand le livre arrive entre les mains du lecteur l crivain est diteur quand. il prend em charge tout ou partie des fonctions ditoriales au sens scientifique comme. au sens t chnique qu il dite ses propes uvres ou celles d autrui pr paration du. texte choix ordre tat etc annotation avant et apr s texte choix d un syst me. d nonciation typographique caract res format mise en page illustrations etc. impression diffusion Seul ma tre du texte l crivain entre dans le champ ditorial en. concurrence avec d autres acteurs variables selon l poque le m c ne le commandi. taire le protecteur le censeur le juge l imprimeur le libraire l diteur etc L enjeu. est pour lui de conserver contre eux et malgr eux selon des modalit s historiquement. variables la ma trise du texte et ses effets contr le du moment de sa publication de. son tat part des b n fices attendus de l operation influence sur sa lecture par le. moyen d une po tique du livre 1, Antes de passarmos propriamente a tratar do caso de Adolfo Caminha como. autor editor parece nos importante desenvolver uma breve reflex o a partir da. proposta de Bessire sobre a qual podemos dizer que a figura do autor editor. coloca em quest o a no o que temos do conceito de autor ou escritor pois ao. longo de seu desenvolvimento esse conceito consagrou uma figura um tipo. bastante espec fico esse tipo viveria em um mundo no qual as preocupa es. financeiras n o estariam presentes ele mesmo n o saberia ou n o gostaria de. 1 Escritor editor e reuni o destas duas palavras que na sua acep o corrente designam duas. fun es bem distintas dois mundos muito diferentes de um lado o pensamento e a escritura do. outro a produ o e venda de um lado o texto e do outro o livro permite delimitar de maneira. r pida e c moda nosso sujeito O escritor editor desde que ele interv m nisto que poder amos. chamar de campo editorial isto todo o processo que come a uma vez colocado o ponto final. no texto e acaba quando o livro chega as m os do leitor escritor editor quando ele toma para si. toda ou parte das fun es editoriais no sentido cient fico e no sentido t cnico quando ele edita. suas pr prias obras ou as dos outros prepara o do texto escolha ordem estado etc a anota. o antes e ap s o texto escolha de um sistema de enuncia o tipogr fica caracteres formato. pagina o ilustra o etc impress o difus o nico mestre do texto o escritor entra no campo. editorial em concorr ncia com outros atores vari veis segundo as pocas o mecenas o financia. dor o protetor o censor o juiz o impressor o livreiro o editor etc A aposta para ele conservar. contra ele e apesar dele segundo modalidades historicamente vari veis a mestria do texto e seus. efeitos controle do momento de sua publica o de seu estado parte dos benef cios alcan ados. na opera o influ ncia sobre sua leitura por meio de uma po tica do livro Tradi o nossa. ADOLFO CAMINHA 225, lidar com os n meros J no caso do editor sua concep o e seu nascimento se.
confundem com o mercado com a venda o lucro o ganho Se partirmos dessa. dicotomia que op e as letras aos n meros ou se partirmos da compreens o. de pap is bastante demarcados o autor editor um ser amb guo uma esp cie. de anf bio das artes capaz de viver em mundos diferentes. Mais importante do que partir dessa compreens o no entanto buscar lhe. uma via alternativa ou seja preciso pensar sempre que a realidade mais. complexa do que o nosso prop sito de supostamente organiz la organiz la. dizemos limit la em estruturas estanques Se a conceitua o estanque de. categorias possibilitaria uma melhor compreens o dos pap is experienciados. no campo liter rio partindo da pr tica do isolamento ela tamb m proporciona. a quebra das articula es poss veis entre os fazeres ela torna im vel o que t o. agilmente se movimentava S o essas articula es diversas portanto que nos. interessa discutir O que est ent o por detr s dos exemplos aqui apresentados. por meio das diversas cita es sejam elas retiradas da obra de Adolfo Caminha. sejam de outros autores a rearticula o dos conceitos que uma pr tica que. se apresentou como pedag gica nos ensinou O autor editor institui desse. modo um inc modo na nossa compreens o desses pap is como eles nos fo. ram ensinados Parece nos sempre importante citar as palavras de Andrade. Muricy 1973 v 1 p 36 ao tratar da rela o entre os movimentos simbolista e. parnasiano no Brasil Na correnteza dos fen menos liter rios o movimento da. vida n o permite sen o artificial e efemeramente formarem se compartimentos. estanques a realidade feita de vasos comunicantes Utilizando a met fora. org nica dos vasos comunicantes Muricy encontrou o modo de demonstrar. qu o geis e intercambi veis s o as rela es no campo liter rio. Foi ent o nessa condi o de mobilidade do autor editor que Adolfo. Caminha participou da edi o e publica o sen o de livros mas de duas. revistas e de um jornal a saber a Revista Moderna de 1891 editada em. Fortaleza o jornal O Di rio de 1892 tamb m editado naquela capital e sua. ltima realiza o no jornalismo liter rio a Nova Revista de 1896 publicada. no Rio de Janeiro Portanto podemos constatar que Adolfo Caminha teve a. oportunidade de conhecer ativamente o processo de produ o de impressos. fossem esses considerados por ele como meios de fazer circular as suas ideias e. as ideias dos grupos ou de movimentos liter rios e pol ticos aos quais ele estava. vinculado fossem para lhe servir de mais uma fonte de renda afinal era preciso. manter se o que ele pretendeu fazer n o somente com o jornalismo mas com. 226 CARLOS EDUARDO DE OLIVEIRA BEZERRA, os pr prios textos de cr tica liter ria enfeixados por ele sob o t tulo de Cartas. liter rias como informou Sab ia Ribeiro 1967 p 10, Tinha no mais alto grau o recato da sua intimidade e poucas vezes se abria com. os outros para cont la Na ltima fase de sua vida a fam lia crescera vieram os. filhos o ordenado tornava se insuficiente para os mais urgentes gastos ningu m. dos mais chegados a ele suspeitava o que estava realmente passando Os mart rios. dessa fase da sua vida s o pungentes Tivera a id ia de lan ar a F lha dos Estados. com vistas a ajudar o or amento mas fora obrigado a desistir Sem dinheiro nada. se faz concluira Pensou que com a publica o em livro das Cartas liter rias do. seu pr prio bolso conseguiria um xito financeiro pois elas obtiveram indiscut vel. sucesso quando sa das na Gazeta de Not cias mas apenas se sacrificaria ainda mais. o dinheiro n o retornou Assim entraram os dias de 1896 grifos nossos. Vemos portanto que a rela o entre cr tica liter ria literatura ficcional e jor. nalismo liter rio ou jornalismo de circula o era um dos modos encontrados pelo. autor para fazer se presente no sistema liter rio e com isso garantir algum lucro. financeiro Vemos tamb m que Adolfo Caminha pensou em publicar um outro. jornal que teria o nome de F lha dos Estados mas foi malogrado em sua inten o. justamente por lhe faltar dinheiro Essa condi o n o era diferente de tantos. outros de sua gera o que mais e mais se viram ligados aos jornais e revistas. sendo esse fato at mesmo representado em seus t tulos de fic o da surgiram. um bom n mero de personagens jornalistas cr ticos liter rios comentadores. de obras leitores e escritores como o poss vel constatar no caso espec fico de. Adolfo Caminha no seu romance de estr ia A normalista Cenas do Cear. de 1893 Nele aparecem algumas personagens discutindo sobre literatura na. reda o da Prov ncia um dos jornais que movimentam a sua trama. Em 1893 portanto ano de publica o de A normalista Adolfo Caminha j. estava familiarizado com o mundo dos impressos jornal sticos fosse na con. di o de colaborador 2 como o foi por exemplo no jornal O P o da Padaria. Espiritual ou na condi o de editor como oportunamente apontaremos An. tes de seguir preciso considerar que grande parte dos jornais e revistas que. circularam no Cear do final do s culo XIX n o contavam com uma grande. 2 Adolfo Caminha assinando se Felix Guanabarino seu pseud nimo na Padaria Espiritual cola. borou com O P o na coluna Sabbatina nos n meros 1 2 3 mas no original numerado como 2. novamente 4 e 5,ADOLFO CAMINHA 227, estrutura Alguns n o passaram do primeiro exemplar ou seus n meros cir. cularam com grande irregularidade Em muitos deles uma nica pessoa era. respons vel por fazer todo o trabalho de produ o do jornal o que significava. produzir textos captar informa es preparar originais ficando a cargo de. oper rios tipogr ficos a sua diagrama o e impress o que nem sempre tinha. a qualidade garantida muito mais pela condi o do maquin rio existente no. estado do que pelo trabalho dos gr ficos Assim boa parte dos jornais e das. revistas que circulava naqueles idos anos do s culo XIX no Cear e em especial. em Fortaleza era organizada por um homem s,Uma reda o com um homem s. Como estamos acostumados a pensar nos jornais como grandes empresas. sempre espera de not cias as mais diversas chegando de diferentes partes do. mundo para que assim fa am rodar as suas m quinas impressoras pode nos. ser bem dif cil imaginar uma reda o com um nico homem um homem. moda de um faz tudo No entanto a leitura de O Di rio nos leva a essa con. clus o O modelo de imprensa que conhecemos hoje tem uma hist ria e pelo. menos no Brasil a sua origem se deu com a chegada do s culo XX Nelson. Werneck Sodr 1999 p 1 na introdu o de sua Hist ria da imprensa no Brasil. afirmou Por muitas raz es f ceis de referir e de demonstrar a hist ria da. imprensa a pr pria hist ria do desenvolvimento da sociedade capitalista. No caso espec fico do Brasil do final do s culo XIX j republicano essas. mudan as est o submetidas s circunst ncias do momento como tamb m. nos faz crer Sodr, A mudan a de regime na alterou o desenvolvimento da imprensa Os grandes.
jornais continuaram os mesmos com mais prest gio e for a os republicanos com. mais combatividade os monarquistas N o surgiram de imediato grandes jornais. novos s em 1891 apareceria o Jornal do Brasil Multiplicaram se os pequenos os. rg os de vida ef mera mas isso sempre acontecera e continuaria a acontecer nas. fases de agita o desaparecendo em seguida ibidem p 251. Esse per odo que vai do fim da Monarquia primeira d cada da Rep blica. Sodr o chamou de esbo o numa esp cie de conceitua o evolucionista. mas tamb m submetida s condi es econ micas numa leitura tipicamente. marxista da produ o capitalista e das condi es de produ o espec ficas da. 228 CARLOS EDUARDO DE OLIVEIRA BEZERRA, imprensa Uma passagem ir nica e bem caracter stica desta id ia de esbo o. ou seja de algo em estado ainda indefinido a que transcrevemos abaixo. As inova es t cnicas da imprensa prosseguir o em 1895 j os jornais definindo. se com estrutura empresarial aquelas inova es e esta estrutura est o intimamente. ligadas O primeiro prelo Derrey italiano para impress o de 5000 exemplares por. hora aparece nesse ano nesse ano aparecem tamb m os primeiros clich s obtidos por. zincografia com os gravadores Ant nio Freitas e Ant nio Jos Gamarra do Jornal. do Brasil A produ o do jornal porque agora j pode se falar assim compreende. v rias opera es Preparado assim o jornal vai para as prensas onde se tira a matriz. e obtida esta coloca se no molde em que se despeja o chumbo quente formando. o bloco de cada p gina Pronta esta primeira parte a estereotipia entra a folha nas. prodigiosas m quinas rotativas Marinoni m quinas que montadas no fundo do. t rreo do edif cio ao lado da rua do Ouvidor al m de imprimir contam e dobram. um por um todos os exemplares que v o saindo aos milheiros Mas a distribui o. Uso N o Comercial Partilha nos Mesmos Termos 3 0 N o adaptada Todo el contenido de este cap tulo excepto donde se indique lo contrario est bajo licencia de la licencia Creative Commons Reconocimento NoComercial CompartirIgual 3 0 Unported Adolfo Caminha autor editor Carlos Eduardo de Oliveira Bezerra

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